sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Criação do nada

Comecei com um fundo vazio. Com o decorrer dos segundos, esse mesmo fundo começou a ser preenchido e ocupado por milhares de milhões de minúsculos pontos. Quando esses objetos de dimensão zero se uniram, formaram rectas. Umas horizontais, outras verticais, algumas oblíquas ou até mesmo curvas. Esses mesmos conjuntos de pontos criados uniram-se entre si e formaram o que chamamos casualmente de letras. Essas, conjugadas e ordenadas de modo correto, formaram, por sua vez, palavras. Fui então cobrindo aquele plano desabitado com palavras e, deste modo, criei frases. Estas frases construídas retratavam os mais variados assuntos. Após todo este longo, demorado e árduo processo, pressionei o botão direito do rato, escolhi a opção "Seleccionar tudo" e cliquei na tecla de apagar. Repeti este procedimento mais de três vezes. Isto deixou-me a pensar em como seria a vida se fosse possível simplesmente clicar em meia dúzia de botões e recuar no tempo ou eliminar os nossos erros ou ações que gostaríamos que não tivessem sido feitas ou sequer imaginadas. Traria isto benefícios?

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